Sobrevivemos a quase tudo

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A palavra sobrevivente tem significado amplo. Pandemias, guerras, catástrofes ambientais e acidentes de percurso são eventos terríveis, sim, mas o sofrimento decorrente deles tende a se resolver com o tempo. Não são permanentes, portanto (espera-se). A variedade de situações que exigem de nós uma força acima do normal é enorme. Sobrevivemos a quase tudo, se pensarmos bem.

Sobrevivemos a quase tudo

COMPARAÇÕES

Esse momento horrível que estamos atravessando há mais de um ano deveria ser visto como uma oportunidade para refletirmos também sobre as centenas de milhões de pessoas que desde sempre estão sobrevivendo a eventos para elas intermináveis, como pobreza extrema, desertificação, pedofilia, violência doméstica e discriminações (raciais, étnicas, de classe, de orientação sexual).

“Sobreviver a um câncer grave é mais complicado do que sobreviver a um assédio moral”, você me dirá. Em tese, sim. Mas por causa disso você deveria minimizar o impacto psicológico de um assédio moral? Não. De forma alguma. Há ainda os “sobreviventes silenciosos”, que não podem afirmar (ou que preferem não afirmar) publicamente que sofreram abusos físicos e emocionais em casa, no trabalho e nos ambientes de sociabilização.

E DAÍ?

Sobrevive-se a tantas situações que seria necessária uma coleção de catálogos listando-as e explicando-as. Sobrevive-se a governos autoritários, empresas falidas, chefes incompetentes, desemprego, separações, depressões agudas, crises existenciais, perdas de pessoas queridas, etc.

Três conclusões importantes sobre tudo isso, no meu entendimento:

  1. As feridas e a dor psicológica que sobreviventes sentem são reais, não importando o tipo de situação que enfrentaram, e deveríamos respeitá-las, sempre;
  2. Toda e qualquer história de superação contada/recontada foi e continua sendo importante para ajudar a aumentar a capacidade de sobrevivência de indivíduos em situação semelhante;
  3. Para que a ação do item anterior possa resultar, precisamos criar ambientes em que as pessoas que estão vivendo situações limites se sintam à vontade para se expressar.

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Sergio Vilas-Boas

Jornalista, escritor e tradutor. Apaixonado por artes e psicologia. Autor de vários livros, entre eles "Perfis: o Mundo dos Outros" e "Biografismo". Mora em Florença, Itália. //// Journalist, writer, and translator. Loves arts and psychology. Author of "Perfis: o Mundo dos Outros", "Biografismo", and other books. Lives in Florence, Italy: https://sergiovilasboas.com.br ///// [email protected]

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