Colecionar: reter para eternizar

Foto: Eilon Paz, da série “Dust & Grooves” (2015), sobre 130 colecionadores de vinis

Digamos que você se auto engana dizendo que possui 145 pares de sapatos porque precisa de cada um deles. Não faz sentido (para mim), mas é compreensível. [Compreender não significa concordar.] Por outro lado, orgulhar-se de ter em casa um baú enorme repleto de canecas de todos os tipos que vêm sendo juntadas/guardadas há mais de trinta anos, bem, isso muda tudo. Muda o quê? Te digo já: colecionar não tem nada a ver com necessidade e uso. Ler mais

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Por que o sentimento de culpa é traiçoeiro?

Assim como sentimos prazer e dor, sentimos culpa, e nunca nos livraremos para sempre desse sentimento. [Os psicopatas não o têm nem mesmo quando violam o Código Penal.] Já nós, os “normais”, sofremos com as consequências do que acreditamos que devíamos ter (ou não ter) feito. O sentimento de culpa decorre de uma convicção – quase sempre injustificada – de estarmos causando danos a alguém. Por que os dilemas da culpa são tão complicados de lidar? E o que fazer? Ler mais

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Arrepender-se é um ato de coragem

Uma vida sem arrependimentos é impossível. Escolher um caminho pressupõe rejeitar outros. Se você escolheu ficar solteiro(a) optou também por não descobrir como seria estar casado(a); se escolheu ficar na sua cidade natal optou também por não descobrir como seria a sua vida se tivesse ido morar noutro lugar. Em qualquer circunstância, porém, arrepender-se é um ato de coragem. Significa abrir-se para a possibilidade de fazer diferente, tentar de novo, recuperar-se. Ler mais

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Escolhas e decisões tomam tempo

Está cada vez mais difícil fazer escolhas e tomar decisões? Você lê livros de autoajuda, frequenta palestras de gurus famosos, dá ouvidos ao seu coach, não falta às sessões de psicoterapia e, mesmo assim, sente-se inseguro na hora de escolher e decidir? Você, que não é (nunca foi) uma pessoa tipicamente indecisa, sente que gasta cada vez mais tempo para fazer escolhas simples e tomar decisões cruciais? Escolhas e decisões tomam tempo, e o tempo parece cada vez mais escasso. E aí? Ler mais

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A travessia pós-perda é uma dureza

A perda de alguém ou de alguma coisa que não queríamos perder de jeito nenhum muitas vezes é para sempre e o processo de ter que enfrentar tudo isso é complicadíssimo. A travessia pós-perda é uma dureza. E não tem filosofia, não tem religião, não tem filme, não tem livro, não tem amigo que resolva realmente o seu problema. A perda é sem solução. Perdeu, acabou. E como se não bastasse ter que acordar no dia seguinte e aceitar este fato desconcertante, a gente ainda tem de ocupar as lacunas deixadas pela perda. Ler mais

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A música desperta o coração e a mente

A música desperta o coração e a mente. A musicoterapia tem ajudado crianças com autismo, portadores de Parkinson, Alzheimer e outros tipos de demência e adultos estressados, ansiosos e deprimidos. Claro que, se pensarmos friamente, as notas e os tons musicais não passam de fenômenos sonoros (fenômenos físicos, sim). O modo como reagimos às suas múltiplas combinações e vibrações, porém, é tão emocional quanto fascinante e complexo. Nesse sentido, conheça o projeto Music & Memory e o documentário “Alive Inside”. Ler mais

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Anatomia da conversa mole

A conversa fiada é um dos traços mais marcantes da nossa cultura e não por acaso a falação enganosa tem ajudado a eleger/derrubar políticos há séculos (risos). O papo furado cumpre um papel social – o papel de inimigo da verdade (mais inimigo da verdade até do que a própria mentira). Estamos todos sujeitos a ele, como emissores e como receptores; todos contribuímos para que ele exista. Até aí nada de mais. Mas quando a gente começa a reproduzir as bogagens alheias sem perceber, bem, aí a coisa muda de figura. Ler mais

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Cabeça cheia se esgota fácil

Se cabeça vazia é a oficina do diabo, cabeça cheia é o próprio inferno. A sobrecarga mental é um problema que afeta milhões de pessoas de ambos os sexos e de todas as idades em todo o mundo. Não tem a ver somente com a super exposição tecnológica a que estamos submetidos neste nosso mundo veloz e fútil. Outros dois fatores fazem aumentar o risco de esgotamento: a mania de perfeição e o afã de querer ser (ou de se sentir obrigado a ser) multitarefas. Ler mais

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Para não cair em negação

Negar é recusar-se a aceitar tanto o que ocorre no mundo quanto as próprias experiências. Pode cair em negação uma pessoa ou um grupo. Como? Criando uma realidade paralela na qual passam a acreditar ferreamente. Estudos comportamentais aprofundados indicaram que estamos sempre dispostos a rejeitar fatos e opiniões que vão contra os nossos interesses e as nossas crenças. No fundo, portanto, nega-se por motivos muito pessoais (irracionais, talvez). Ler mais

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A curiosidade é contagiante

Afinal, a curiosidade matou ou salvou o gato? (Risos.) O fato é que pessoas curiosas formulam perguntas e procuram respostas não apenas no Google ou em bibliotecas e laboratórios mas também dentro de suas próprias cabeças. Quando a curiosidade é despertada, a mente aguarda e antecipa ideias novas relacionadas ao assunto em questão, o que nos permite encontrar o novo no velho e vice-versa; o verdadeiro no falso e vice-versa; e a discrepância no padrão e vice-versa. Ler mais

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Da importância de ligar o foda-se

Sabe-se que tudo o que é socialmente obrigatório (feito mais para agradar os outros do que a nós mesmos) cria uma espiral autodestrutiva. Quer ver? Amanhã você tem de apresentar um produto/serviço aos seus clientes e não por acaso está muito preocupado e ansioso. Essa ansiedade vai te dominando e você começa a se perguntar por que diabos está tão ansioso. E a ansiedade em relação à sua própria ansiedade te gera, obviamente, mais e mais ansiedade. Uma alternativa seria ligar o foda-se, não? Ler mais

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Maldita zoeira onipresente

Sabe aquele zumbido que gruda no seu ouvido depois que você sai de um bar lotado, onde as pessoas falavam mais e mais alto sem se darem conta do (altíssimo) volume da música ao fundo? Pois é: “A exposição a altos níveis de ruído causa danos permanentes à audição”, afirma Mathias Basner, professor de psiquiatria da Universidade da Pennsylvania, estudioso dos efeitos dos ruídos indesejáveis sobre a saúde. Um dos efeitos é exatamente prejudicar a comunicação. Ler mais

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A conveniência de acreditar

Parece novo esse fenômeno de desconhecer/negar os fatos históricos e científicos mas acreditar piamente em posts de redes sociais e mensagens de whatsapp. Well, precisamos antes de tudo considerar que ter crenças é uma atitude natural. Somos crentes, todos nós, independentemente de religião ou fé. Acreditamos inclusive na conveniência de (não) acreditar. Então, uma pergunta que certamente devemos formular é a seguinte: o pensamento religioso voltou a se infiltrar na política? Ler mais

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A razão e a empatia pelo coletivo

Quem acompanha os noticiários e as redes sociais deve ter percebido os retrocessos na visão geral da sociedade em relação a direitos humanos e civilidade. Não, não é delírio. É real. Estamos andando para trás nesse quesito. Conservadorismos envolvendo raça, etnia, gênero, etc., que pareciam extintos, voltaram a ser defendidos por uma parte considerável da população de vários países. Os rebeldes do momento são do tipo “sou-contra-absolutamente-tudo-o-que-existia-antes-porque-sim”. Acabou a empatia pelo coletivo? Ler mais

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Coordenar os bons hábitos

De modo geral, ter hábitos não é necessariamente ruim. Os hábitos refletem quem somos e como enfrentamos o cotidiano. Além de adaptativos, os hábitos indicam como o seu cérebro está funcionando. Ao dirigir o seu carro de casa para o trabalho, por exemplo, você não precisa se preocupar com virar à esquerda ou à direita. O trajeto em si é assimilado sem muito esforço e se torna um padrão. Porém, os hábitos podem nos trair – por exemplo, quando comemos chocolates para aliviar a tristeza ou quando usamos drogas para dormir. Ler mais

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Estar presente aqui agora

No momento em que você começa a ler este texto, a sua mente está produzindo pensamentos sobre tantos assuntos (reais e imaginários) que é difícil concentrar-se. Uma das piores causas/consequências da cultura de massa Ocidental é a dificuldade de viver o (e no) tempo presente. Estamos sempre sob a influência de divagações que transitam entre passado e futuro, enquanto o presente nos passa batido. Fiz as contas: devo ter vivido metade da vida perdido em pensamentos sobre o irrecuperável e o inconfirmável (risos). Ler mais

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O bom humor civiliza

O humor é uma forma de entretenimento, mas também um modo de lidar com situações complicadas e eventos estressantes. Embora tenha sido observado e analisado em todas as culturas e todas as épocas, somente nas últimas décadas a psicologia experimental acolheu o humor como parte do comportamento humano. Espirituoso ou absurdo, ajuda a criar vínculos, liberar tensões, atrair parceiros e colocar os rivais em seus devidos lugares (risos). Um bom senso de humor pode ainda proteger o coração e reforçar o sistema imunológico. Ler mais

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Estratégias para um novo ciclo

O nosso modo de pensar e de agir pode mudar a realidade tanto objetiva quanto subjetiva. Temos a faculdade de criar, por exemplo, microprofecias autorrealizáveis, mesmo que, à primeira vista, pareçam idiotices. É inegável: se a gente acorda pensando que vai ter um dia horrível é provável que estejamos nos preparando para um dia horrível. Na próxima vez que você se pegar fazendo uma previsão negativa para o seu futuro, não se culpe. Ao contrário: parabenize-se por estar pelo menos percebendo seu negativismo. Ler mais

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Christmas Blues

Natal é o período em que muita gente é obrigada a pertencer a uma família unida, alegre e feliz. A mídia, as redes sociais e a propaganda onipresente transmitem a idéia de que somente famílias “perfeitas” celebram o Natal, o que pode elevar ainda mais a sensação de deslocamento e melancolia. Apesar das férias e dos recessos (e excessos) muita gente não percebe nem no coração nem na pele o chamado “espírito de natal”, e por isso experimentam tristeza e depressão circunstanciais. Esse mal-estar tem um nome: Christmas Blues. Ler mais

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Precisamos de fronteiras e limites

Fronteiras e limites não são temas geopolíticos somente. Os dois substantivos se aplicam também à nossa psique. Inevitavelmente, precisamos estabelecer fronteiras e limites nos nossos relacionamentos. O problema é que vivemos entre “abrir-se completamente ao contato” ou “esconder-se como um caramujo”. Encontrar o exato equilíbrio entre esse abrir-se e fechar-se, sem nos ferir e sem permitir que alguém tire proveito de nós – e sem passar por cima das nossas capacidades e valores – é um desafio e tanto. Ler mais

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Placebos: a ilusão da expectativa

Há décadas os profissionais da área de saúde sabem que a simples expectativa de receber um tratamento por si só já pode produzir algum alívio nos pacientes. Não por acaso, cerca de 50% das pessoas que recebem um placebo declaram uma melhora equivalente àquela apresentada pelos pacientes tratados com substâncias ativas. No entanto, estudos recentes mostraram que o efeito placebo vai muito além das pesquisas farmacológicas e dos tratamentos médicos, e pode moldar o nosso comportamento. Ler mais

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Pessoas altamente sensíveis

A alta sensibilidade é um traço de temperamento com o qual se nasce, segundo pesquisadores. As pessoas altamente sensíveis respondem de maneira profunda – em termos físicos, mentais e emocionais – aos estímulos externos e internos. São pessoas com grande capacidade de: observar, ouvir e mostrar empatia; de antevear as possíveis consequências de uma decisão; de interpretar os acontecimentos de modo claro e convicto; de se emocionar ao contemplar a natureza ou ficar horas em silêncio ou ouvindo música. Ler mais

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A parcimônia é um valor

Lembra aquele post sobre minimalismo (a arte de viver bem com o mínimo necessário)? Fiquei pensando: e onde vão parar as coisas eliminadas/descartadas? A gente reduz, doa, vende mas, em última instância, tudo aquilo que fora extraído da natureza e que ficara retido em nossas casas acaba indo para aterros sanitários, que, infelizmente, não vão desaparecer tão cedo. Ao contrário, só aumentam. Uma ideia interessante e que também tem a ver com minimalismo é a parcimônia, que nossos avós já conheciam bem. Ler mais

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Quem se conhece que o diga

Segundo cientistas, não temos acesso tão privilegiado ao nosso eu e por isso é difícil definir quem somos. [Na verdade, não temos somente um eu. Temos vários. Temos o eu-pai/mãe/filho(a), o eu-profissional, o eu-social, o eu-amigo(a), o eu-namorado(a) e outros eus. Nem todos esses eus estão em atividade o tempo todo. Depende do contexto.] Eis o ponto: pesquisas indicam que a nossa sensação de bem-estar aumenta quando os nossos vários eus estão mais ou menos alinhados e coesos. Ler mais

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E quem não mente?

No dia a dia, contamos pequenas mentiras o tempo todo: para agradar, para escapar, para obter, etc. Calcula-se que, em média, a gente invente pelo menos duas histórias falsas por dia, mas a frequência de fake news nas redes sociais indica que esse número pode ser exponencialmente maior em certos indivíduos. O fato é que sem a mentira a verdade não existiria. Sem a mentira talvez a vida em sociedade fosse insuportável ou absolutamente sem graça. Viveríamos no limite entre a idiotia e a barbárie. Ler mais

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Os minimalistas estão chegando

O estilo de vida minimalista – possuir menos para poder viver com o necessário – vem conquistando adeptos. Nos Estados Unidos, Ryan Nicodemus e Joshua Millburn estão gerando um “movimento positivo” nesse sentido. Mas esse tal mínimo necessário varia de pessoa para pessoa. Atinge-se a quantidade ideal quando o discernimento avisa que não há mais nada para reduzir. Porém, o que mais importa não é o que vai embora, mas sim os espaços abertos para as coisas que não são coisas, como criatividade e paixão. Ler mais

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Precisamos falar sobre a vergonha

Todos sentimos vergonha alguma vez: vergonha de falar em público; de participar de um trabalho em grupo; de usar uma roupa diferente; de parecermos inseguros, idiotas, ingênuos, inadequados, interesseiros, ignorantes, perdidos, chatos, etc., etc. Mas falar sobre a vergonha causada por sentimento de inferioridade e medo do julgamento alheio não é fácil porque a gente tende a anestesiá-la, exatamente como fazemos com outros sentimentos incômodos como medo, raiva e frustração. Ler mais

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Inteligência e talento se explicam

Quanta gente você conhece que não se desenvolveu em determinada carreira por acreditar que não possuía certas habilidades inatas, enquanto outros se gabavam de suas incríveis capacidades que, no fim das contas, nada acrescentavam de concreto? E as “inteligências brilhantes” que só brilhavam para confirmar (para si mesmas e para os outros) o quão brilhantes eram/são? O fato é que talento e inteligência implicam uma mentalidade específica, que se adquire com dedicação, esforço e aprendizado constante. Ler mais

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Reconhecimento é fundamental

O reconhecimento é uma necessidade humana vital e constitui o primeiro passo para se obter alguma recompensa. Pessoas que não se sentem reconhecidas pelo que fazem tendem a distorcer ainda mais as suas “self-stories” – as histórias que a gente se conta. A canção “High and Dry” tem um trecho assim: “Kill yourself for recognition/ kill yourself to never ever stop”. E você? Daria tudo para obter reconhecimento pelo seu trabalho ou está mais preocupado em realizar do que em “ser aclamado”? Ler mais

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Viagem ao fundo do sono

A insônia é uma epidemia. O desequilíbrio entre o estilo de vida e o ciclo solar é generalizado. Hoje dorme-se em média duas horas a menos de quanto se dormia cem anos atrás. A causa principal? A proliferação de luzes elétricas, inicialmente, e de televisores, computadores e smartphones, mais recentemente. O ritmo sono-vigília é uma forma de adaptação em um planeta que gira entre o claro e o escuro. Porém, ignoramos a metamorfose sofrida por nosso cérebro quando nos deitamos para dormir. Ler mais

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O sentido da vida é uma vida com sentido

Qual é o sentido da vida? A filosofia afirmaria certamente que nada possui sentido em si. Então, o sentido da vida seria determinado por nós mesmos, cada qual à sua maneira. Mas o importante é que estudos recentes têm demonstrado que sensações de entorpercimento e magnificência em relação ao Universo podem gerar benefícios. Uma existência rica de significado tem também efeito protetor sobre a saúde: mortalidade menor, menos chances de enfartar, sofrer derrame ou desenvolver demência e doenças degenerativas. Ler mais

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Atitude é o que nos caracteriza

Em cada um de nós existe um estado mental (formado pela relação passado-presente) que nos predispõe a agir ou reagir de uma certa maneira diante dos acontecimentos e suas circunstâncias. A atitude decorre da leitura que fazemos do que para nós é a realidade naquele dado momento. Esse entendimento pode variar entre o extremamente negativo e o extremamente positivo – claro, as ambivalências são consideráveis também. O fato é que as nossas atitudes são muito mais importantes do que imaginamos. Ler mais

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A percepção do tempo

O tempo não é um objeto ou substância que podemos tocar ou ver. Também não é uma quantidade, um conceito ou uma dimensão. É inerte: nem rápido nem lento; nem claro nem escuro; nem bom nem mal. Na prática, é apenas uma invenção humana para nos ajudar a acompanhar os acontecimentos. Mas o tempo contém tantos aspectos que representa coisas diferentes para pessoas diferentes em circunstâncias diferentes. O entendimento e o domínio do tempo, portanto, são uma questão de percepção. Ler mais

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A preguiça pode ter um fim

Pense bem: a preguiça é um tema mal abordado (quando abordado), não? A preguiça é socialmente indefensável em todas as culturas civilizadas. No cristianismo, é um dos sete pecados capitais. No reino da produção incessante, quem a tem é rotulado das mais variadas maneiras (com ou sem razão). O fato é que a preguiça diz muito sobre a pessoa considerada preguiçosa, mas também sobre quem observa e descreve essa tal pessoa. Ler mais

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A atenção é um ativo valioso

Está cada vez mais difícil prestar atenção? Enquanto a escola  organiza a nossa mente para o amanhã, em ordem cronológica, a era digital organiza tudo de modo reverso, do mais recente para o mais antigo, fragmentando a nossa capacidade de memorizar. É como se estivéssemos tentando, inutilmente, viver “tudo ao mesmo tempo agora”, com toda a frustração que isso implica. Por isso precisamos de estratégias de autocontrole, como fazemos, aliás, com outras “tentações”. Ler mais

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Onde entra a pitada de sorte?

Nas sociedades altamente competitivas a ideia de sorte está acoplada a um paradigma tão antigo quanto imutável: o de que o sucesso (financeiro) decorre principalmente de características individuais como talento, inteligência e esforço. A ladainha termina assim: “E uma pitada de sorte”. “Se é verdade que algum grau de talento é necessário para ter sucesso na vida, por que a maioria das pessoas mais talentosas não alcançam os picos de sucesso, sendo ultrapassadas muitas vezes por gente medíocre?” Ler mais

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Ponderando decisões cruciais

Decisões cruciais são aquelas que podem mudar nosso destino de maneira irrevogável e cujos processos nos deixam com a sensação de estarmos imersos em uma espécie de névoa, sem saber exatamente o que fazer. Diferentemente das escolhas de “coisas”, nas decisões cruciais o número de alternativas é geralmente pequeno. Na maioria dos casos, estamos lidando com apenas duas opções, e ambas têm pros e contras, e nenhuma é melhor que a outra, necessariamente. Ler mais

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Escolhas são paradoxais

Por que é cada vez mais difícil escolher? Well, let’s face the facts:  1) Opções demais geram confiança de menos porque o afã de dar a tacada certa nos paralisa; 2) O que nos trava não é a tomada de decisão em si, mas as possíveis consequências; 3) A gente tenta evitar uma escolha por medo de se arrepender; 4) Toda decisão tem um preço – monetário (em moeda corrente) ou não monetário. 5) Para cada escolha feita estamos também escolhendo não escolher; 6) E com tantas opções interessantes, as expectativas aumentam muito. Ler mais

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Cosmopolitismo pode ser um atrativo

Cidadão do mundo é quem pretende superar os limites da divisão geopolítica e as cidadanias nacionais. Os cosmopolitas recusam a identidade patriótica que os governos nacionais impõem e reconhecem-se como independentes por serem Cidadãos da Terra. É o meu caso. Em maio de 1992, aos 26 anos de idade, parti de Belo Horizonte para a minha primeira viagem internacional: Nova York. Até então, eu só tinha viajado de avião uma única vez e nunca havia posto os pés em uma cidade cosmopolita. Ler mais

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Adorações transversais

As linhas que separam o super fã de um idólatra compulsivo ou de um fanático insano não são fáceis de identificar. Um fã admira ídolo e obra e ponto. Já o idólatra tende a se anular como indivíduo à sombra de suas adorações. Não se gosta e tem autoestima baixa. E os fanáticos? Não por acaso se atraem e formam grupos coesos, impedindo-se uns aos outros de colocar em dúvida suas adesões incondicionais a uma ideia, uma fé, uma teoria ou uma pessoa. Idolatria e fanatismo têm pelo menos uma raiz idêntica: a idealização. Ler mais

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Temos que dosar as comparações

Comparar-se com os outros é tão inevitável quanto interessante, se consideramos os possíveis efeitos educativos. Enxergar o outro através de si mesmo e enxergar-se no outro é uma experiência extraordinária, que mantém ativos o corpo e o raciocínio. Mas o que mais interessa não são as conclusões das comparações, mas sim o porquê de às vezes nos ocuparmos tanto com isso. Na verdade, pouco importa se a comparação é favorável ou desfavorável para quem se compara. Importa que comparar-se demais é inútil. Ler mais

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Saber esperar é uma virtude

Saber esperar é uma virtude. Muitos projetos de médio e longo prazo só florescem após um considerável período de maturação. O problema é que esperar não é uma habilidade que vem escrita em nosso DNA. Temos de aprendê-la empiricamente. Isso, tanto nos relacionamentos com pessoas quanto nos relacionamentos com as adversidades. A duras penas, porém, conseguimos entender que só vale a pena esperar (e, por consequência, perseverar) quando a recompensa futura é objetivamente melhor que a recompensa imediata. Ler mais

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Reclamar é tão impreciso quanto

Com ou sem razão, reclamar indiscriminadamente parece grátis, mas tem um preço… Vejam que paradoxo: nos momentos em que minha vida estava de fato ruim, lutei como um autêntico guerreiro; mas nos momentos em que tudo parecia andar (e realmente andava) bem, comecei a reclamar do que faltava e do que não. Isso não me torna um indivíduo singular entre os demais da espécie à qual pertenço – a mesma que vocês pertencem. Ao contrário. E foi essa trivialidade do ato de reclamar que me levou a pensar a respeito. Ler mais

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Elogiemos a imperfeição

A crença irrefletida na perfeição pode estagnar, enquanto a aceitação do imperfeito gera movimento contínuo. Entre o normal e o doentio deve haver variações, mas uma coisa é certa: os perfeccionistas doentios raciocinam de modo binário. É tudo ou nada, claro ou escuro, isto ou aquilo, inviabilizando as realizações. Considere a cultura em que estamos metidos. Somos pressionados a trabalhar sempre, ganhar mais e mais, amar sem restrições, saber tudo e se divertir como nunca. Querem que a gente acredite no impossível. Ler mais

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Senso de privacidade

Omitir as próprias idiossincrasias é uma coisa, evitar contagiar-se pelo excesso de informações sobra a vida alheia é outra. A capacidade de estar (bem) sozinho – de praticar firmemente a opção de ficar consigo mesmo – é uma atitude tão rara quanto desvalorizada nestes tempos de falação e gritaria. A cultura brasileira, calcada na extroversão, tampouco contribui para o exercício de si mesmo. No Brasil, a opção por estar só pode ser vista como doença, afronta ou rejeição. Em outras culturas a privacidade é incentivada e preservada. Ler mais

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O fim de um jejum necessário

Virei jornalista meio que por acaso, e valeu a pena, mas fui abandonando a atividade pouco a pouco, ano a ano, sempre tentando abrir espaços para outros modos de vida. O mesmo aconteceu com a minha trajetória de professor: investia e desinvestia conforme as demandas por bem-estar físico e mental. Principalmente mental. O único objetivo que atravessou com constância pelo menos metade da minha vida foi o de me tornar escritor. E aconteceu, e também valeu a pena. Porém, experimentei – por vontade própria – um jejum. Ler mais

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A banalização da autoajuda

Estudos recentes mostraram que a autoajuda não ajuda. Há evidências de que expressar raiva não fará a raiva passar; e que pré-visualizar metas não aumentará as suas chances de atingi-las. Interessante: os países “mais felizes” não são aqueles onde a autoajuda vende mais. Não é sensato nos interrogarmos “como posso ser mais feliz?”, dizem os críticos sério da autoajuda. Em vez disso, deveríamos aceitar que os nossos esforços para eliminar tudo o que é negativo é precisamente o que nos faz inseguros, ansiosos e indecisos. Ler mais

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A positivação da felicidade

Um cobiçadíssimo subproduto do moralismo atual é a felicidade, ou melhor, o ideal contemporâneo de felicidade. Desde a década de 1960, a felicidade virou um negócio altamente lucrativo, que movimenta bilhões de dólares. Esse negócio se chama autoajuda. Em forma de livros, vídeos, seminários, retiros espirituais, etc. (e bota etcétera nisso), a autoajuda é um menu. Tentáculo do consumismo, a indústria da autoajuda se apropria de conhecimentos extraídos das religiões, das ciências e das artes e os simplifica ou deturpa. Ler mais

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