Maldita zoeira onipresente

Quanto mais alto o ruído, mais a gente precisa lutar para se proteger dele e sobreviver

Sabe aquele zumbido que gruda no seu ouvido depois que você sai de um bar lotado, onde as pessoas falavam mais e mais alto sem se darem conta do (altíssimo) volume da música ao fundo? Pois é: “A exposição a altos níveis de ruído causa danos permanentes à audição”, afirma Mathias Basner, professor de psiquiatria da Universidade da Pennsylvania, estudioso dos efeitos dos ruídos indesejáveis sobre a saúde. Um dos efeitos é exatamente prejudicar a comunicação. Quanto mais alto o ruído, mais a gente precisa levantar a voz para se fazer entender. Ler mais

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A conveniência de acreditar

Parece novo esse fenômeno de desconhecer/negar os fatos históricos e científicos mas acreditar piamente em posts de redes sociais e mensagens de whatsapp. Well, precisamos antes de tudo considerar que ter crenças é uma atitude natural. Somos crentes, todos nós, independentemente de religião ou fé. Acreditamos inclusive na conveniência de (não) acreditar. Porém, a Ciência e a História se alimentam da identificação e da análise de dados/padõres concretos, o que nos leva a uma pergunta: o pensamento religioso voltou a se infiltrar na política? Ler mais

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A razão e a empatia pelo coletivo

Quem acompanha os noticiários e as redes sociais deve ter percebido os retrocessos na visão geral da sociedade em relação a direitos humanos e civilidade. Não, não é delírio. É real. Estamos andando para trás nesse quesito. Conservadorismos envolvendo raça, etnia, gênero, etc., que pareciam extintos, voltaram a ser defendidos por uma parte considerável da população de vários países. Os rebeldes do momento são do tipo “sou-contra-absolutamente-tudo-o-que-existia-antes-porque-sim-ou-por-que-vi-no-Facebook”. Acabou a empatia pelo coletivo? Ler mais

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Coordenar os bons hábitos

De modo geral, ter hábitos não é necessariamente ruim. Os hábitos refletem quem somos e como enfrentamos o cotidiano. Além de adaptativos, os hábitos indicam como o seu cérebro está funcionando. Ao dirigir o seu carro de casa para o trabalho, por exemplo, você não precisa se preocupar muito com onde virar à esquerda ou à direita. O trajeto em si é assimilado sem muito esforço e se torna um padrão. Porém, os hábitos podem nos trair – por exemplo, quando comemos chocolates para aliviar a tristeza ou quando usamos drogas para dormir. Leia mais


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O agora é um bem precioso

No momento em que você começa a ler este texto, a sua mente está produzindo pensamentos sobre tantos assuntos (reais e imaginários) que é difícil concentrar-se. Uma das piores causas/consequências da cultura de massa Ocidental é a dificuldade de viver o (e no) tempo presente. Estamos sempre sob a influência de divagações que transitam entre passado e futuro, enquanto o presente nos passa batido. Fiz as contas: devo ter vivido metade dos meus 53 anos perdido em pensamentos sobre o irrecuperável e o inconfirmável (risos). Ler mais

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O humor civiliza

O humor é uma forma de entretenimento, mas também um modo de lidar com situações complicadas e eventos estressantes. Embora tenha sido observado e analisado em todas as culturas e todas as épocas, somente nas últimas décadas a psicologia experimental acolheu o humor como parte do comportamento humano. Espirituoso ou absurdo, ajuda a criar vínculos, liberar tensões, atrair parceiros e colocar os rivais em seus devidos lugares (risos). Um bom senso de humor pode ainda proteger a saúde do coração e reforçar o sistema imunológico. Ler mais

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Estratégias para um novo ciclo

O nosso modo de pensar e de agir pode mudar a realidade tanto objetiva quanto subjetiva. Temos a faculdade de criar, por exemplo, microprofecias autorrealizáveis, mesmo que, à primeira vista, pareçam idiotices. É inegável: se a gente acorda pensando que vai ter um dia horrível é provável que estejamos nos preparando para um dia horrível. De qualquer forma, na próxima vez que você se pegar fazendo uma previsão negativa para o seu futuro, não se culpe. Ao contrário: parabenize-se por estar pelo menos percebendo seu negativismo. Leia mais

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Christmas Blues

Natal é o período em que muita gente é obrigada a pertencer a uma família unida, alegre e feliz. A mídia, as redes sociais e a propaganda onipresente transmitem a idéia de que somente famílias “perfeitas” celebram o Natal, o que pode elevar ainda mais a sensação de deslocamento e melancolia. Apesar das férias e dos recessos (e excessos) muita gente não percebe nem no coração nem na pele o chamado “espírito de natal”, e por isso experimentam tristeza e depressão circunstanciais. Esse mal-estar tem um nome: Christmas Blues. Leia mais

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Precisamos de fronteiras e limites

Fronteiras e limites não são temas geopolíticos somente. Os dois substantivos se aplicam também à nossa psique. Inevitavelmente, precisamos estabelecer fronteiras e limites nos nossos relacionamentos com os outros e com nós mesmos. Mas em geral vivemos entre extremismos do tipo “abrir-se completamente ao contato” ou “esconder-se como um caramujo”. Encontrar o exato equilíbrio entre esse abrir-se e fechar-se, sem nos ferir e sem permitir que alguém tire proveito de nós – e sem passar por cima das nossas capacidades e valores – é um desafio e tanto. Leia mais

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Placebos: a ilusão da expectativa

Há décadas os profissionais da área de saúde sabem que a simples expectativa de receber um tratamento por si só já pode produzir algum alívio nos pacientes. Não por acaso, cerca de 50% das pessoas que recebem um placebo declaram uma melhora equivalente àquela apresentada pelos pacientes tratados com substâncias ativas. No entanto, estudos recentes mostraram que o efeito placebo vai muito além das pesquisas farmacológicas e dos tratamentos médicos, e pode moldar o nosso comportamento. Leia mais

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Pessoas altamente sensíveis

A alta sensibilidade é um traço de temperamento com o qual se nasce, segundo pesquisadores. As pessoas altamente sensíveis respondem de maneira profunda – em termos físicos, mentais e emocionais – aos estímulos externos (sociais/ambientais) e internos (intrapessoais). São pessoas com grande capacidade de: observar, ouvir e mostrar empatia; de antevear as possíveis consequências de uma decisão; de interpretar os acontecimentos de modo claro e convicto; de se emocionar ao contemplar a natureza ou ficar horas/dias em silêncio ouvindo música. Leia mais

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A parcimônia é um bem

Lembra aquele post sobre minimalismo (a arte de viver bem com o mínimo necessário)? Fiquei pensando: e onde vão parar as coisas eliminadas/descartadas? A gente reduz, doa, vende mas, em última instância, tudo aquilo que fora extraído da natureza e que ficara retido em nossas casas acaba indo para aterros sanitários, que, infelizmente, não vão desaparecer tão cedo. Ao contrário, só aumentam. Uma ideia interessante e que também tem a ver com minimalismo é a parcimônia, que nossos avós já conheciam bem e que pode ser resgatado. Ler mais

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Quem se conhece que o diga

Segundo cientistas, não temos acesso tão privilegiado ao nosso eu e por isso é difícil definir quem somos. [Na verdade, não temos somente um eu. Temos vários. Temos o eu-pai/mãe/filho(a), o eu-profissional, o eu-social, o eu-amigo(a), o eu-namorado(a) e outros eus. Nem todos esses eus estão em atividade o tempo todo. Depende do contexto.] Eis o ponto: pesquisas indicam que a nossa sensação de bem-estar aumenta quando os nossos vários eus estão mais ou menos alinhados e coesos. Ler mais

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E quem não mente?

No dia a dia, contamos pequenas mentiras o tempo todo: para agradar, para escapar, para obter, etc. Calcula-se que, em média, a gente invente pelo menos duas histórias falsas por dia, mas a frequência de fake news nas redes sociais indica que esse número pode ser exponencialmente maior em certos indivíduos. O fato é que sem a mentira a verdade não existiria. Sem a mentira talvez a vida em sociedade fosse insuportável ou absolutamente sem graça. Viveríamos no limite entre a idiotia e a barbárie. Ler mais

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Os minimalistas estão chegando

O estilo de vida minimalista – possuir menos para poder viver com o necessário – vem conquistando adeptos. Nos Estados Unidos, a nação mais consumista do mundo, Ryan Nicodemus e Joshua Millburn estão gerando um “movimento positivo” em torno do tema. Mas esse tal mínimo necessário varia de pessoa para pessoa. Atinge-se a quantidade ideal quando o discernimento avisa que não há mais nada para reduzir. Porém, o que mais importa não é o que vai embora, mas sim os espaços abertos para as coisas que não são coisas, como criatividade e paixão. Ler mais

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Precisamos falar sobre a vergonha

Todos sentimos vergonha alguma vez: vergonha de falar em público; de participar de um trabalho em grupo; de usar uma roupa diferente; de parecermos inseguros, idiotas, ingênuos, inadequados, interesseiros, ignorantes, perdidos, chatos, etc., etc. Mas falar sobre a vergonha causada por sentimento de inferioridade e medo do julgamento alheio não é fácil porque a gente tende a anestesiá-la, exatamente como fazemos com outros sentimentos incômodos como medo, raiva e frustração. Ler mais

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Inteligência e talento se explicam

Quanta gente você conhece que não se desenvolveu em determinada carreira por acreditar que não possuía certas habilidades inatas, enquanto outros se gabavam de suas incríveis capacidades que, no fim das contas, nada acrescentavam de concreto? E as “inteligências brilhantes” que só brilhavam para confirmar (para si mesmas e para os outros) o quão brilhantes eram/são? O fato é que talento e inteligência implicam uma mentalidade específica, que se adquire com dedicação, esforço e aprendizado constante. A suposta habilidade inata é só o ponto de partida. Ler mais

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Reconhecimento é fundamental

O reconhecimento é uma necessidade humana vital e constitui o primeiro passo para se obter alguma recompensa. Pessoas que não obtêm um reconhecimento adequado ou que não se sentem reconhecidas pelo que fazem tendem a distorcer ainda mais as suas “self-stories” – as histórias que a gente se conta. A canção “High and Dry” tem um trecho assim: “Kill yourself for recognition/ kill yourself to never ever stop”. E você? Daria tudo para obter reconhecimento pelo seu trabalho ou está mais preocupado em realizar do que em “ser aclamado”? Ler mais

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Viagem ao fundo do sono

A insônia é uma epidemia. O desequilíbrio entre o estilo de vida e o ciclo solar é generalizado. Hoje dorme-se em média duas horas a menos de quanto se dormia cem anos atrás. A causa principal? A proliferação de luzes elétricas, inicialmente, e de televisores, computadores e smartphones, mais recentemente. Estamos cada vez mais acordados e/ou com dificuldades de dormir. O ritmo sono-vigília é uma forma de adaptação em um planeta que gira entre o claro e o escuro. Porém, ignoramos a metamorfose sofrida por nosso cérebro quando nos deitamos para dormir. Ler mais

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O sentido da vida é uma vida com sentido

Qual é o sentido da vida? A filosofia afirmaria certamente que nada possui sentido em si. Então, o sentido da vida seria determinado por nós mesmos, cada qual à sua maneira. Mas o importante é que estudos recentes têm demonstrado que sensações de entorpercimento e magnificência em relação ao Universo podem impactar positivamente o cotidiano e gerar benefícios. Uma existência rica de significado tem também efeito protetor sobre a saúde: mortalidade menor, menos chances de enfartar, sofrer derrame ou desenvolver demência e doenças degenerativas. Ler mais

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Atitude é o que nos caracteriza

Em cada um de nós existe um estado mental (formado pela relação passado-presente) que nos predispõe a agir ou reagir de uma certa maneira diante dos acontecimentos e suas circunstâncias. A atitude decorre da leitura que fazemos do que para nós é a realidade naquele dado momento. Esse entendimento pode variar entre o extremamente negativo e o extremamente positivo – claro, as ambivalências são consideráveis também. O fato é que as nossas atitudes (positivas, negativas ou ambivalentes) são muito mais importantes do que imaginamos. Ler mais

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A percepção do tempo

O tempo não é um objeto ou substância que podemos tocar ou ver. Também não é uma quantidade, um conceito ou uma dimensão. É inerte: nem rápido nem lento; nem claro nem escuro; nem bom nem mal. Na prática, é apenas uma invenção humana para nos ajudar a acompanhar os acontecimentos, mas o tempo contém tantos aspectos que representa coisas diferentes para pessoas diferentes em circunstâncias diferentes. O entendimento e o domínio do tempo, portanto, são uma questão de percepção. Minha relação com o tempo já foi bem estressante. Ler mais

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O insidioso ciclo da culpa

Assim como sentimos prazer e dor, sentimos culpa, e nunca nos livraremos para sempre desse sentimento. [Os psicopatas não o têm nem mesmo quando violam o Código Penal.] Já nós, os “normais”, sofremos com as consequências do que acreditamos que devíamos ter (ou não ter) feito. O sentimento de culpa decorre de uma convicção – quase sempre injustificada – de estarmos causando danos a alguém. Esse alguém pode ser um cão ou gato, mas, no geral, é um ser humano, e os dilemas da culpa são difíceis de lidar. Ler mais

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A preguiça pode ter um fim

Pense bem: a preguiça é um tema mal abordado (quando abordado), não? E se você tem preguiça de raciocinar ou de torcer vivamente pela “sua” seleção, já temos aí uma boa razão para explorar o assunto. A preguiça é socialmente indefensável em todas as culturas civilizadas. No cristianismo, é um dos sete pecados capitais. No reino da produção incessante, quem a tem é rotulado das mais variadas maneiras (com ou sem razão). O fato é que a preguiça diz muito sobre a pessoa considerada preguiçosa, mas também sobre quem observa e descreve essa tal pessoa. Ler mais

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A atenção posta à prova

Está cada vez mais difícil prestar atenção, certo? Enquanto a escola  organiza a nossa mente para o amanhã, em ordem cronológica, a era digital organiza tudo de modo reverso, do mais recente para o mais antigo, fragmentando a nossa capacidade de memorizar. É como se estivéssemos tentando, inutilmente, viver “tudo ao mesmo tempo agora”, com toda a frustração que isso implica. Por isso precisamos de estratégias de autocontrole, como fazemos com outras “tentações”. Ler mais

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A posse e o efeito posse

Se objetos colecionados são “chaves para outro mundo” e “certificadores de imortalidade”, como crê Philipp Blom em seu excêntrico livro sobre colecionismo, eu seria um insensível que não consegue “tocar as profundezas de quem sou”. Apesar de ser minimalista e de não colecionar asbolutamente nada, me sinto tão pleno de corpo e alma quanto quem retém obstinadamente ingressos de cinema, ímãs de geladeira, cartões postais, bolinhas de gude, relógios velhos, mouse pads, canetas, revistas antigas, cabides, contas de restaurante, miniaturas, etc. Ler mais

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Sorte é mais do que sorte

Nas sociedades altamente competitivas a ideia de sorte está acoplada a um paradigma tão antigo quanto imutável: o de que o sucesso (material, financeiro) decorre principalmente (se não unicamente) de características individuais como talento, inteligência, vontade, esforço e habilidade em correr riscos. A ladainha termina assim: “E uma pitada de sorte”. “Se é verdade que algum grau de talento é necessário para ter sucesso na vida, por que a maioria das pessoas mais talentosas não alcançam os picos de sucesso, sendo ultrapassadas muitas vezes por gente medíocre?” Ler mais

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Ponderando decisões cruciais

Decisões cruciais são aquelas que podem mudar nosso destino de maneira irrevogável e cujos processos nos deixam com a sensação de estarmos imersos em uma espécie de névoa, sem saber exatamente o que fazer. Diferentemente das escolhas de “coisas”, nas decisões cruciais o número de alternativas é geralmente pequeno. Na maioria dos casos, estamos lidando com apenas duas opções, e ambas têm pros e contras, e nenhuma é melhor que a outra, necessariamente. Ler mais

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Escolhas são paradoxais

Por que é cada vez mais difícil escolher? Well, let’s face the facts:  1) Opções demais geram confiança de menos porque o afã de dar a tacada certa nos paralisa; 2) O que nos trava não é a tomada de decisão em si, mas as possíveis consequências; 3) A gente tenta evitar uma escolha por medo de se arrepender; 4) Toda decisão tem um preço – monetário (em moeda corrente) ou não monetário. 5) Para cada escolha feita estamos também escolhendo não escolher; 6) E com tantas opções interessantes, as expectativas em relação às escolhas aumentam muito. Ler mais

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Cosmopolitismo pode ser um atrativo

Cidadão do mundo é quem pretende superar os limites da divisão geopolítica e as cidadanias nacionais. Os cosmopolitas recusam a identidade patriótica que os governos nacionais impõem e reconhecem-se como independentes por serem Cidadãos da Terra. É o meu caso. Em maio de 1992, aos 26 anos de idade, parti de Belo Horizonte para a minha primeira viagem internacional: Nova York. Até então, eu só tinha viajado de avião uma única vez e nunca havia posto os pés em uma cidade cosmopolita. Minha vida nunca mais foi a mesma. Ler mais 

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Adorações transversais

As linhas que separam o super fã de um idólatra compulsivo ou de um fanático insano não são fáceis de identificar. Um fã admira ídolo e obra e ponto. Já o idólatra tende a se anular como indivíduo à sombra de suas adorações. Não se gosta e tem autoestima baixa. E os fanáticos? Não por acaso se atraem e formam grupos coesos, impedindo-se uns aos outros de colocar em dúvida suas adesões incondicionais a uma ideia, uma fé, uma teoria ou uma pessoa. Apesar dessas sutis diferenças, idolatria e fanatismo têm raiz idêntica: a idealização. Ler mais

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Comparações que apreciam

Comparar-se com os outros é tão inevitável quanto interessante, às vezes, se consideramos os possíveis efeitos educativos. Enxergar o outro através de si mesmo e enxergar-se no outro é uma experiência extraordinária, que mantém ativos o corpo e o raciocínio. Mas o que mais interessa não são as conclusões das comparações, mas sim o porquê de às vezes nos ocuparmos tanto com isso. Na verdade, pouco importa se a comparação é favorável ou desfavorável para quem se compara. Importa que comparar-se demais é uma atitude inútil. Ler mais

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Perseverando na espera

A sabedoria de esperar (e, por consequência, de perseverar) é a base de muitos projetos bem-sucedidos de curto e de longo prazo. Mas essa é uma habilidade que não vem escrita em nosso DNA. A gente é obrigado a aprendê-la empiricamente, tanto nos relacionamentos com pessoas quanto nos relacionamentos com as adversidades do dia a dia. A duras penas entendemos que só vale a pena perseverar quando a recompensa futura é objetivamente melhor que a recompensa imediata (se houver uma). Ter isso em mente nos ajuda a lidar com os obstáculos diários. Ler mais

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Reclamar é tão impreciso quanto

Com ou sem razão, reclamar indiscriminadamente parece grátis, mas tem um preço… Vejam que paradoxo: nos momentos em que minha vida estava de fato ruim, lutei como um autêntico guerreiro; mas nos momentos em que tudo parecia andar (e realmente andava) bem, comecei a reclamar do que faltava e do que não. Isso não me torna um indivíduo singular entre os demais da espécie à qual pertenço – a mesma que vocês pertencem. Ao contrário. E foi essa trivialidade do ato de reclamar que me levou a pensar a respeito. Ler mais

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Elogiemos a imperfeição

A crença irrefletida na perfeição pode estagnar, enquanto a aceitação do imperfeito gera movimento contínuo. Entre o normal e o doentio deve haver variações, mas uma coisa é certa: os perfeccionistas doentios raciocinam de modo binário. É tudo ou nada, claro ou escuro, dentro ou fora, isto ou aquilo, inviabilizando as realizações. Considere a cultura em que estamos metidos. Somos pressionados a trabalhar sempre, ganhar mais e mais, amar sem restrições, saber tudo e se divertir como nunca. Há uma forte pressão para que a gente acredite no impossível. Ler mais

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Senso de privacidade

Omitir as próprias idiossincrasias é uma coisa, evitar contagiar-se pelo excesso de informações sobra a vida alheia é outra. A capacidade de estar (bem) sozinho – de praticar firmemente a opção de ficar consigo mesmo – é uma atitude tão rara quanto desvalorizada nestes tempos de falação e gritaria. A cultura brasileira, calcada na extroversão e na sociabilidade, tampouco contribui para o exercício de si mesmo. No Brasil, a opção por estar só pode ser vista como doença, afronta ou rejeição. Em outras culturas a privacidade é incentivada e preservada. Ler mais

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O fim de um jejum necessário

Virei jornalista meio que por acaso, e valeu a pena, mas fui abandonando a atividade pouco a pouco, ano a ano, sempre tentando abrir espaços para outros modos de vida. O mesmo aconteceu com a minha trajetória de professor: investia e desinvestia conforme as demandas por bem-estar físico e mental. Principalmente mental. O único objetivo que atravessou com alguma constância pelo menos metade da minha vida foi o de me tornar escritor. E aconteceu, e também valeu a pena. Porém, experimentei – por vontade própria – um jejum de mais de dois anos. Ler mais

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A banalização da autoajuda

Estudos recentes mostraram que a autoajuda não ajuda. Há evidências de que expressar raiva não fará a raiva passar; e que pré-visualizar metas não aumentará as suas chances de atingi-las. Interessante: os países “mais felizes” não são aqueles onde a autoajuda vende mais. Não é sensato nos interrogarmos “como posso ser mais feliz?”, dizem os críticos sério da autoajuda. Em vez disso, deveríamos aceitar que os nossos esforços para eliminar tudo o que é negativo é precisamente o que nos faz inseguros, ansiosos e indecisos. Ler mais

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A positivação da felicidade

Um cobiçadíssimo subproduto do moralismo atual é a felicidade, ou melhor, o ideal contemporâneo de felicidade. Desde a década de 1960, mais ou menos, a felicidade virou um negócio altamente lucrativo, que movimenta bilhões de dólares. Esse negócio se chama autoajuda. Em forma de livros, vídeos, seminários, retiros espirituais, etc. (e bota etcétera nisso), a autoajuda é um menu. O menu da felicidade. Tentáculo do consumismo, a indústria da autoajuda se apropria de conhecimentos extraídos das religiões, das ciências e das artes e os simplifica ou deturpa. Ler mais

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